A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco <p><strong>Escopo</strong>: A Palo Seco – Escritos de Filosofia e Literatura é um periódico anual, com avaliação de pares às cegas e arbitragem, mantido pelo Grupo de Pesquisa: GeFeLit/CNPQ/UFS – Grupo de Estudos em Filosofia e Literatura, cediado pela Universidade Federal de Sergipe, desde o ano de 2008. O grupo se mobiliza em caráter interdisciplinar e interinstitucional e tem como missão fomentar a produção acadêmica sobre as interlocuções entre a literatura e filosofia, permitindo a pesquisadores do Brasil e do exterior divulgarem suas pesquisas e contribuírem para o debate nessa interface.<br><strong>E-ISSN</strong>: 2176-3356</p> <p>&nbsp;</p> pt-BR lages.ls@gmail.com (Luciene Lages Silva) julio.dragos@gmail.com (Julio Gomes de Siqueira) qui, 07 jan 2021 14:22:34 -0300 OJS 3.1.2.4 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Expediente/Ficha catalográfica https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15049 <p><strong>CONSELHO EDITORIAL</strong><br>Alexandre de Melo Andrade - <em>Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil</em><br>Anelito Pereira de Oliveira - <em>Universidade Federal de Minas Gerais/NEIA/UFMG, Brasil</em><br>Beto Vianna - <em>Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil</em><br>Camille Dumoulié - <em>Université de Paris Ouest-Nanterre-La Défense, França</em><br>Carlos Eduardo Japiassú de Queiroz - <em>Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil</em><br>Celina Figueiredo Lages - <em>Universidade Estadual de Minas Gerais/UEMG, Brasil</em><br>Christine Arndt de Santana - <em>Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil</em><br>Conceição Aparecida Bento - <em>Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri/UFVJM, Brasil</em><br>Fabian Jorge Piñeyro - <em>Universidade Pio Décimo/PIO X/Aracaju, Brasil</em><br>Fernando de Mendonça - <em>Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil</em><br>Jacqueline Ramos - <em>Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil</em><br>Jean-Claude Laborie - <em>Université de Paris Ouest-Nanterre-La Défense, França</em><br>José Amarante Santos Sobrinho - <em>Universidade Federal da Bahia/UFBA, Brasil</em><br>Leonor Demétrio da Silva - <em>Exam. DELE-Instituto Cervantes/SE, Brasil</em><br>Lúcia Maria de Assis - <em>Universidade Federal Fluminense/UFF, Brasil</em><br>Luciene Lages Silva - <em>Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil</em><br>Luiz Rosalvo Costa - <em>Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil</em><br>Marcos Fonseca Ribeiro Balieiro - <em>Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil</em><br>Maria A. A. de Macedo - <em>Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil</em><br>Oliver Tolle - <em>Universidade de São Paulo/USP, Brasil</em><br>Renato Ambrósio - <em>Universidade Federal da Bahia/UFBA, Brasil</em><br>Rodrigo Pinto de Brito - <em>Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/UFRRJ, Brasil</em><br>Romero Junior Venancio Silva - <em>Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil</em><br>Rosana Baptista dos Santos - <em>Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri/UFVJM, Brasil</em><br>Tarik de Athayde Prata - <em>Universidade Federal de Pernambuco/UFPE, Brasil</em><br>Tereza Pereira do Carmo - <em>Universidade Federal da Bahia/UFBA, Brasil</em><br>Ulisses Neves Rafael - <em>Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil</em><br>Vladimir de Oliva Mota - <em>Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil</em><br>Waltencir Alves de Oliveira - <em>Universidade Federal do Paraná/UFPR, Brasil</em><br>William John Dominik - <em>University of Otago, New Zealand (Professor Emeritus), Nova Zelândia</em></p> <p><br><br><strong>EDITORIA</strong><br>Jacqueline Ramos - <em>Editora-Chefe</em><br>Fernando de Mendonça - <em>Editor Adjunto</em><br>Luiz Rosalvo Costa - <em>Editor Adjunto</em><br>Luciene Lages Silva - <em>Editora-Gerente</em></p> <p>&nbsp;</p> <p><strong>REVISOR DE LÍNGUA ESTRANGEIRA</strong><br>William Dominik (língua inglesa)</p> <p><br><strong>PREPARAÇÃO DOS ORIGINAIS</strong><br>Jacqueline Ramos<br>Fernando de Mendonça</p> <p><br><strong>PROJETO GRÁFICO e DIAGRAMAÇÃO</strong><br>Julio Gomes de Siqueira</p> <p>&nbsp;</p> <p align="center"><strong>FICHA CATALOGRÁFICA</strong></p> <div style="border: 1px solid #000; padding: 10px 50px 20px 50px;"> <p>A Palo Seco: Escritos de Filosofia e Literatura / Grupo de Estudos em Filosofia e Literatura/UFS/CNPq. n. 13 (2020) – São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, CECH, 2009-</p> <p>Anual</p> <p>E-ISSN 2176-3356</p> <p>1. Filosofia – Periódicos. 2. Literatura – Periódicos. I. Grupo de Estudos em Filosofia e Literatura.</p> <p style="margin: 0px 0px 0px 0px;" align="right"><strong>CDU – 1:82.09</strong></p> </div> GeFeLit - Grupo de estudos em Filosofia e Literatura Copyright (c) 2021 A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15049 qui, 07 jan 2021 01:03:05 -0300 Apresentação https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15050 <p style="text-align: right;"><strong>Apresentação</strong></p> <p>&nbsp;</p> <p>A pintura que encapa esta nova edição d’<em>A Palo Seco</em>, mais do que uma tentativa de representação ao nosso atual sumário, denota um estado de síntese para com a realidade que assolou o mundo neste ano de 2020. <em>Night in Saint-Cloud</em>, tela datada de 1890<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup>[1]</sup></a>, concentra uma situação de espírito vivenciada pelo expressionista Edvard Münch, naquele exato período e em relação a um contexto de isolamento que também era causado por uma crise na saúde europeia. Melhor contextualizando, desde 1889, Münch encontra-se em Paris, apoiado por uma bolsa do estado norueguês, vendo-se obrigado a sair da cidade, quando, em dezembro daquele ano, estourou um surto de cólera. Seu deslocamento para a comuna de Saint-Cloud imediatamente passa a ser retratado em uma série de obras que trazem ao primeiro plano uma atmosfera de confinamento, com personagens encerrados em interiores de janelas fechadas e opressoras, sendo esta que escolhemos para abrir nossa edição, a primeira tela da referida fase de Münch e a mais representativa junto às intenções deste periódico.</p> <p>Dar corpo ao 13º volume de nossos escritos, em meio a uma crise mundial de saúde e a uma brutal adaptação de rotinas e interações (com a sociedade, com o conhecimento, com a compreensão de espaço e tempo), coloca-nos em posição especular à que se retrata no centro da pintura de Münch. No personagem que absorve a noite e se torna sombra de si mesmo, somos também provocados – seja pela COVID-19 ou por direcionamentos políticos em vigor que insistem em nos isolar, a nós, que insistimos pela filosofia e pela literatura – a dialogar com uma humanidade contemporânea encavernada, condenada às sombras, mas jamais desistente em suas motivações de continuidade. Se também continuamos nossos trabalhos em meio a tão conturbado cenário, fazemo-lo por convicção de os dias e as noites de 2020 prosseguirem confirmando a necessidade humana da introspecção, do autoquestionamento e de sua autorrepresentação. Muito se tem dito sobre o valor das artes nestes tempos, das estéticas midiáticas subsistindo não apenas como refúgio, mas como ponte ao Outro, renovando valores e usos do pensamento. Em certa medida, não houve no mundo quem não provasse, neste ano, de uma inclinação filosófica, seja pela manutenção de perguntas inesgotáveis, seja pela consciência e o desafio de se reencontrar em meio a rompimentos irreversíveis.</p> <p>Na duplicação dos espaços que emana em torno desta melancólica figura do pensador, como aparece atualizada em Münch, reencontramos igualmente os nossos propósitos. Assim como a janela parece crucificar o espaço, materializando ecos de uma encruzilhada existencial, o GeFeLit – Grupo de Filosofia e Literatura, também localiza no encontro de dois pensares, o filosófico e o literário, uma necessária interseção para continuar ressignificando as possíveis maneiras de ver e se relacionar com o mundo. Com mais de uma década de atividades e uma contínua renovação de seus integrantes, este grupo mantém os impulsos que o fundaram, entendendo que na encruzilhada onde se encontram a Filosofia e a Literatura também se colocam formulações que ajudam, não apenas a enxergar o outro lado (o de fora ou de dentro), mas a tratar espíritos adoecidos, como na emblemática imagem de uma ‘homeopatia da angústia’, receitada pelo fenomenólogo Gaston Bachelard, em sua <em>Poética do Devaneio</em> (1961).</p> <p>Ainda que não se trate de uma edição temática, não por acaso, vários dos textos deste volume recorrem aos imaginários da solidão. Por meio de personagens e narrativas, ou mesmo por uma investigação primeva do ato filosófico, este que coloca o ser em diálogo com silêncios que dizem muito, uma espécie de linearidade se erige na conexão dos onze artigos e das duas traduções que dão forma a presente coletânea. No que importa uma enumeração de todas as valiosas contribuições aqui perpetuadas, como dispomos a seguir:</p> <p>No artigo que abre nossas leituras, <strong>Paulo Junior Batista Lauxen</strong> investiga “A Atitude Filosófica de <em>Walden, </em>de Thoreau”, partindo do quadro conceitual de Pierre Hadot para concluir que, em Thoreau, a literatura se faz filosofia, pois a obra <em>Walden</em> é ao mesmo tempo um discurso filosófico e um projeto poético que exercita espiritualmente o seu autor a viver melhor e em direção aos outros. O paradoxo entre o isolamento poético de Thoreau e sua abertura para o mundo natural recupera princípios que jamais deveriam se dissociar da <em>práxis</em> filosófica, desde a Antiguidade direcionada para a vida prática e a convivência em sociedade. O aprimoramento de espírito trazido pela postura introspectiva revela-se em sua urgência de resgate, respondendo inclusive aos sintomas do mundo pandêmico que inicialmente evocamos e reposicionando a convergência entre Filosofia e Literatura como uma potência do bem viver, do que é ser realmente saudável.</p> <p>Seguem-se, então, dois artigos que exploram as ressonâncias de palavras originárias, fundadoras, seja no mais tradicionalmente reconhecido contexto grego, onde <strong>Rodrigo Rizerio de Almeida</strong> nos orienta “Para uma Ontologia Poética ou Poética Ontológica: a unidade temporal dos estilos”; como no ainda pouco desbravado, dentro de um diálogo com as filosofias ocidentais, contexto africano, onde <strong>Tiganá Santana Neves Santos</strong> aborda as “Sentenças Proverbiais Africanas: a um só tempo, literatura, filosofia e acontecimento”. Trata-se de dois textos que, cada qual a sua maneira, trazem à tona o caráter filosófico da palavra poética dentro de dimensões ontológicas embasadas em tradições milenares. Como bem lembra o último texto enumerado, não se pretende aqui discussões de ordem ‘etnofilosófica’, mas problematizações em torno de uma expansão dos cânones, compreendendo-se que o pensamento humano transcende fronteiras e demarcações coloniais.</p> <p>Nesse sentido, os três artigos desta edição que discutem um corpus localizado na literatura brasileira e avançam nas contribuições analíticas de textos literários por meio de perspectivas filosóficas, reconstruindo uma cronologia nacional que transita entre os séculos XIX e XX, vêm na sequência; todos eles também partilham de um interesse pelo poder instaurador da palavra, capaz de redimensionar costumes e preceitos historicamente entranhados nas estruturas sociais. Os estudos machadianos de <strong>Iasmim Santos Ferreira</strong>, com sua reflexão metapoética “Sobre a Malévola Faculdade: a palavra”, tocam em pontos cruciais para que repensemos nossa responsabilidade diante dos usos da linguagem em meio a agudas transformações nos mecanismos informativos. Por sua vez, <strong>Fernando Pisoni Zanaga</strong>, em “Poder-saber e a Cor: as crônicas de Lima Barreto e os discursos racista-científicos no Brasil do início do século XX”, também denuncia os riscos dos discursos, inclusive filosóficos e/ou literários, quando estes não confrontam a manutenção de intolerâncias e preconceitos que se materializam por meio da palavra. Ambos os textos advogam uma necessária tomada de consciência que bem orienta ao cuidado com a linguagem, ainda mais se considerarmos a atual retomada mundial de perspectivas fascistas e autoritárias. Já, em “O&nbsp;<em>Habitus&nbsp;</em>Bíblico de Graciliano Ramos”, <strong>Cosme Rogério Ferreira</strong> desenvolve uma abordagem comparatista à mais expressiva produção romanesca graciliânica, toda ela pautada por uma angustiada solidão que também não se pacifica com as crescentes injustiças do mundo. Os intertextos analisados junto à literatura bíblica na obra de um autor ateu, redirecionam o sumário desta edição aos desdobramentos do isolamento, assim como a busca pela palavra que nos religa ao sagrado.</p> <p>Em seguida, alinham-se mais três artigos pautados por um corpus que toca às margens do existencialismo fantástico: “O Devaneio Poético em &nbsp;<em>A casa de Asterion&nbsp;</em>e<em>&nbsp;A Escrita de Deus:&nbsp;</em>reflexões filosóficas na solidão de um cárcere”, em que <strong>Clarissa Loureiro Marinho Barbosa</strong> e <strong>Carlos Eduardo Japiassú de Queiroz</strong> ofertam interpretações fenomenológicas à inesgotável obra borgeana; “Simulacro, Desejo e Ética: aproximações entre Slavoj Zizek e&nbsp;<em>A invenção de Morel,&nbsp;</em>de Adolfo Bioy Casares”, em que <strong>Isabela Cim Fabricio de Melo</strong> igualmente redireciona luzes a este marco da literatura latino-americana dentro de um contexto crítico próximo ao psicanalítico; e “A Construção Narrativa em Abismo, em&nbsp;<em>O Lobo da Estepe”, </em>em que <strong>Geyvson Cardoso Varjão</strong> e <strong>Fernando de Mendonça</strong> propõem uma leitura baseada na técnica da <em>mise en abyme</em> e em suas múltiplas variações especulares, diante de um dos mais emblemáticos romances de Hermann Hesse.</p> <p>Os últimos dois textos da seção de artigos voltam-se para momentos e movimentos do pensamento estético/histórico, reforçando a necessidade de áreas fundamentais às Humanidades, como a Educação e o Direito, também não se afastarem da consciência filosófica. <strong>Christine Arndt de Santana</strong> e <strong>Nívea Maria Dias</strong>, em “Teatro, Filosofia e Educação: o discurso sobre a poesia dramática”, alicerçam os pensamentos na obra poética de Diderot para refletir as possibilidades de alcance junto a uma felicidade coletiva, sábia e virtuosa, que necessariamente demanda exercícios de ordem estética. Também preocupado com as formas de constituição da intelectualidade na vida social, <strong>Jean Felipe de Assis</strong>, em “Hegel e a Ironia Romântica: racionalidade, direito e saber”, desenvolve uma série de considerações aos <em>Cursos de Estética</em> hegelianos para identificar como a Filosofia contribui na prática científica, histórica e política de uma sociedade.</p> <p>A seção bilíngue de traduções que encerra este volume, com duas versões para o português de textos originários de Galeno e Kant, outrora inéditos em nosso idioma, não deixa de também guardar relações com a linearidade lógica que ordena toda a edição. O texto “Que o Melhor Médico é Também Filósofo”, de Cláudio Galeno, com tradução e apresentação de <strong>Rafael Carvalho</strong>, aos moldes de tantas saudáveis exortações filosóficas diluídas em toda a revista, desde aquele primeiro artigo sobre Thoreau, curiosamente, também elogia ‘o desprezo pelas riquezas e o cultivo da moderação’. De outra parte, “Sobre o Fogo”, oriundo da fase pré-críticas de Immanuel Kant, com tradução e apresentação de <strong>Klaus Denecke Rabello</strong>, apesar de apresentar um caráter mais eminentemente científico, não deixa de nos devolver um elemento natural (o fogo) que é miticamente associado à vida humana.</p> <p>Com o intuito de não deixar a chama apagar, nós d’<em>A Palo Seco</em>, concluímos assim mais uma edição que já guardamos como memorável, especialmente diante da época que atravessamos. Somos profundamente gratos a cada colaboração que deu forma a este número, de articulistas a tradutores, de pareceristas a colaborações técnicas em revisão e diagramação. Encerramos o ano de 2020, dedicando este volume à memória de cada pessoa vitimada pela COVID-19, para além de nossos círculos de amizades e parentescos, seja junto a cada integrante do grupo GeFeLiT, como a cada leitor(a) da revista. Para que as nossas vidas e as nossas mortes não sejam reduzidas a números, mas que se resgatem em seu valor singular de experiência, nos pensamentos e nas narrativas que nos formam e que nos confirmam seres dotados de subjetividade, desejamos uma excelente e inquietante leitura.</p> <p>&nbsp;</p> <p style="text-align: right;"><strong>Fernando de Mendonça</strong></p> <p>&nbsp;</p> <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1"><sup>[1]</sup></a> Disponível em: &lt;<a title="Clique" href="https://www.munchmuseet.no/en/edvard-munch" target="_blank" rel="noopener">https://www.munchmuseet.no/en/edvard-munch/</a>&gt;</p> Fernando de Mendonça Copyright (c) 2021 A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15050 qui, 07 jan 2021 01:16:48 -0300 A “atitude” filosófica de Walden, de Thoreau https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15051 <p>O presente artigo investiga a possibilidade de ler a obra <em>Walden,</em> de Henry D. Thoreau (1817 - 1862), segundo o quadro conceitual desenvolvido por Pierre Hadot (1922 - 2010), em <em>O que é a filosofia antiga?</em> Debruçando-se sobre os textos filosóficos da Antiguidade, Hadot revela que a filosofia se define mais como um <em>modo de vida</em> do que como um <em>discurso filosófico</em>. O propósito desta atividade é “tornar-se melhor” mediante a prática do que ele chama de <em>exercícios espirituais</em>. Não obstante, a filosofia acaba por se distanciar deste caráter marcadamente prático em função de um complexo processo histórico que se reduz a uma atividade exclusivamente discursiva. Hadot localiza ao longo da história figuras que reverberam a tradição antiga de filosofia, como Thoreau, por exemplo. Partindo de Hadot, concluiremos que em Thoreau a literatura se faz filosofia: <em>Walden</em> é ao mesmo tempo um <em>discurso filosófico </em>e um <em>exercício espiritual </em>de seu autor, estando estreitamente vinculado à sua <em>vida filosófica</em>, além de ser recurso “psicagógico” de <em>direção espiritual </em>dos <em>outros</em>.</p> Paulo Junior Batista Lauxen Copyright (c) 2021 A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15051 qui, 07 jan 2021 01:32:40 -0300 Para uma ontologia poética ou poética ontológica: a unidade temporal dos estilos https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15052 <p>Em <em>Conceitos fundamentais da poética,</em> Emil Staiger defende a intimidade entre poética e ontologia, sugerindo que a poética reflete, na unidade de seus gêneros, virtualidades fundamentais da existência humana. Por outro lado, a unidade dos estilos poéticos se fundamenta para o autor na unidade temporal da existência, tal como Heidegger a interpretou. Tendo em vista isso, o artigo a seguir explicita a unidade temporal da existência, enfatizando o tempo como o sentido do cuidado (<em>Sorge</em>), para em seguida explorar as sugestões de Staiger de que cada um dos estilos poéticos corresponde a <em>ekstases</em> temporais. Se o tempo originário é finito e não serial, marcado por uma unidade essencial a fundamentar a unidade do todo estrutural do cuidado, a unidade temporal dos estilos poéticos nada mais seria, por sua vez, senão um modo poético de explicitar a mesma totalidade. A unidade temporal da existência se pode ver assim também poeticamente.</p> Rodrigo Rizerio de Almeida Copyright (c) 2021 A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15052 qui, 07 jan 2021 01:43:49 -0300 Sentenças proverbiais africanas: a um só tempo, literatura, filosofia e acontecimento https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15053 <p>Este artigo traz à tona o lugar específico e relevante do que nele se cunha como sentença em linguagem proverbial – diferentemente, de uma ideia euro-ocidental de provérbio – para civilizações africanas, a exemplo da Bantu-Kongo, Changana e Yoruba. A complexidade semiótica, filosófica e estético-inscricional de tal expressão (associada a corporalidades coletivas e singulares) está também na dimensão do acontecimento a mover-se entre temporalidades, o conhecido e o desconhecido. Linguagem, nesse caso, faz-se, antes de tudo, comunicação entre frequências.</p> Tiganá Santana Copyright (c) 2021 A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15053 qui, 07 jan 2021 01:55:20 -0300 Sobre a malévola faculdade: a palavra https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15054 <p>Este trabalho tem por objetivo se debruçar sobre a crônica “A reforma pelo jornal”, do escritor Machado de Assis, sob a perspectiva da linguagem poética. Para tanto, amparamo-nos nos estudos teóricos de Benedito Nunes (1989), Octavio Paz (2013) e Theodor Adorno (1983). Machado defende a palavra poética veiculada pelo jornal, o meio mais difuso da época, engendrando discussões sobre a linguagem, o fazer poético e o acesso à literatura, sendo assim uma crônica que versa sobre a “malévola faculdade”: a palavra, portanto, metapoética.</p> Iasmim Santos Ferreira Copyright (c) 2021 A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15054 qui, 07 jan 2021 02:12:44 -0300 Poder-saber e cor: as crônicas de Lima Barreto e os discursos racista-científicos no Brasil do início do século XX https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15055 <p>Michel Foucault (2010) identifica que, durante o século XIX, emerge na Europa o racismo de Estado e moderno, pautado em revigorados discursos racista-científicos. O Brasil, recém-saído do regime escravista e do sistema monárquico, apresenta uma nova elite que recorre às ideias e práticas europeias buscando modernizar o país.&nbsp; Dentre os discursos europeus, que circulam e reverberam na sociedade brasileira da Primeira República, estão os discursos racista-científicos. A partir dos conceitos de poder-saber, da relação entre discurso científico e verdade elaborados por Foucault (2014a, 2014b, 2019), este artigo pretende identificar as estratégias argumentativas que o literato negro Lima Barreto empregou em suas crônicas para combater e desacreditar os discursos racistas.</p> Fernando Pisoni Zanaga Copyright (c) 2021 A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15055 qui, 07 jan 2021 02:25:25 -0300 O habitus bíblico na construção romanesca de Graciliano Ramos https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15056 <p>Este trabalho tem por objeto as relações dialógicas entre textos graciliânicos e textos bíblicos, investigando de que modo o estudo do livro sagrado do cristianismo influenciou a formação de um intelectual descrente, considerado um dos mais importantes escritores brasileiros. Apesar de se declarar ateu desde a juventude, é conhecida a irônica predileção de Graciliano Ramos pela leitura da Bíblia, bem como é notável a referenciação a passagens bíblicas em sua obra. Por meio de uma análise ancorada na perspectiva sociológica de Bourdieu (2003), utilizamos o conceito de <em>habitus </em>bíblico para nos referirmos às disposições consciente ou inconscientemente incorporadas pelo autor no processo de construção de seu monumento literário.</p> Cosme Rogério Ferreira Copyright (c) 2021 A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15056 qui, 07 jan 2021 11:28:36 -0300 O devaneio poético em A casa de Asterion e A escrita de Deus: reflexões filosóficas na solidão de um cárcere https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15057 <p>Este trabalho se propõe a estabelecer um estudo comparativo entre os contos <em>A escrita de Deus</em> e <em>A casa de Asterion</em>, a fim de se discutir como, em ambos, os protagonistas da narrativa vivenciam devaneios poéticos proporcionadores de reflexões filosóficas sobre os espaços que habitam. A intenção é que se compreenda como nesses textos borgeanos os personagens principais criam imagens poéticas que os levam a suavizar os lugares de opressão e de solidão em que se encontram. Para tanto, este trabalho fundamenta-se nas ideias de Gaston Bachelard sobre devaneio (1996) e espaço poético (1993), além da visão de Sandra Nitrini (2015) sobre literatura comparada e de Tzvetan Todorov (1975) sobre literatura fantástica. Todas essas bases teóricas corroboram para que se compreenda como esses contos de Jorge Luís Borges fornecem imagens poéticas sobre a infinitude, as quais sejam possibilitadoras de reflexões poéticas sobre as possíveis relações existentes entre o sujeito e o Cosmo.</p> Clarissa Loureiro Marinho Barbosa, Carlos Eduardo Japiassú de Queiroz Copyright (c) 2021 A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15057 qui, 07 jan 2021 12:15:14 -0300 Simulacro, desejo e ética: aproximações entre Slavoj Zizek e A invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15058 <p>Este artigo tem como objetivo expor criticamente algumas reflexões e possíveis articulações entre a obra <em>A Invenção de Morel</em>, publicada originalmente em 1940 e escrita pelo argentino Adolfo Bioy Casares, e o trato de conceitos psicanalíticos como ética, desejo do Outro e identificação simbólica e imaginária, pelo filósofo Slavoj Zizek. A concepção de Morel e do narrador das projeções imagéticas como uma vida ideal, remete em Zizek (1992) à constituição psíquica do sujeito em sua falha na comunicação com o Outro. A determinação do narrador, por sua vez, em juntar-se à sua amada no mundo dos simulacros, mesmo ao custo da própria vida, encaminha para uma consideração de proximidade à ética do desejo como pensada por Lacan (2008), em sua leitura da Antígona. O estudo das duas obras principais, o livro escrito por Casares e o capítulo V de <em>Eles não sabem o que fazem</em>, de Zizek (1992), foi acompanhado de outros teóricos da psicanálise e da literatura, resultando em uma articulação teórica que representa e agrega ao entendimento dos conceitos propostos, ao mesmo tempo em que abre espaço para leituras novas do texto literário, para além do trabalho de crítica.</p> Isabela Cim Fabricio de Melo Copyright (c) 2021 A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15058 qui, 07 jan 2021 12:29:24 -0300 A construção narrativa em abismo, em O lobo da estepe https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15059 <p>Em <em>O Lobo da Estepe</em> (1927), o ato de narrar traduz ao mesmo tempo uma metamorfose particular de escrita e um ato reflexivo de consciência. Todo o romance de Hermann Hesse é marcado pelo redobramento do sujeito e da própria narrativa escritural, prefigurando uma estrutura <em>mise en abyme</em>. Por meio de leituras que nos revelem esse tipo de engrenagem narrativa (GIDE, 1951; DÄLLENBACH, 1979; ECO, 1989), propomos uma reflexão sobre a construção em abismo do romance <em>O Lobo da Estepe, </em>compreendendo a complexidade e a vertigem formal como um caminho para a tomada de consciência e o olhar filosófico sobre a existência (SARTRE, 2005).</p> Geyvson Cardoso Varjão, Fernando de Mendonça Copyright (c) 2021 A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15059 qui, 07 jan 2021 12:38:43 -0300 Teatro, filosofia e educação: o discurso sobre a poesia dramática https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15060 <p>O presente artigo é resultado de uma pesquisa de Iniciação Científica<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup>[1]</sup></a> vinculada ao PIBIC-UFS, realizada entre os anos de 2019-2020. O objetivo da pesquisa pretendeu demonstrar a relação necessária entre o Teatro e a Educação no pensamento diderotiano, tendo em tela a Filosofia desse autor para que, dessa maneira, fosse possível analisar, à luz dos preceitos estabelecidos no escrito <em>Plano de uma Universidade</em>, o <em>Discurso sobre a poesia dramática</em>, segunda poética do fazer teatral escrita por Diderot; como também compreender o motivo que levou o filósofo aqui analisado a escrever poéticas que revolucionaram o fazer teatral. A metodologia utilizada foi a da pesquisa bibliográfica, a partir da perspectiva interpretativa-hermenêutica que possibilitou o alcance da seguinte conclusão quanto à relação Filosofia, Teatro e Educação: a dramaturgia, assim como sua poética, exercendo uma função social, representa a vida cotidiana em sociedade, fazendo com que seja despertado no espectador a reflexão sobre o mundo que o cerca, permitindo-o ponderar suas ações e agir de maneira reflexiva. Em termos diderotianos, a poesia dramática exige uma configuração tanto estética quanto moral para que se possa forjar, via educação, o ser humano esclarecido (sábio) e virtuoso (bom), único capaz de ser feliz, uma vez que colabora para o alcance da felicidade coletiva.</p> <p>&nbsp;</p> <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1"><sup>[1]</sup></a> A pesquisa recebeu uma bolsa, como financiamento, da Coordenação de Pesquisa (COPES) vinculada ao Programa PIBIC-UFS.</p> Christine Arndt de Santana, Nívea Maria Dias Copyright (c) 2021 A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15060 qui, 07 jan 2021 12:51:33 -0300 Hegel e a ironia romântica: racionalidade, direito e saber https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15061 <p>Avaliam-se as posições de Hegel sobre a <em>Ironia</em> Romântica em passagens seletas de seu <em>corpus</em>, especificamente seus estudos sobre o poético nos <em>Cursos de Estética</em>. Diante da multiplicidade de considerações e interpretações dos movimentos românticos, as observações desse filósofo contribuem para uma avaliação das propostas científicas, históricas e políticas de um marcante período intelectual em solos germânicos. Em contrapartida às ideias de F. Schlegel e Novalis, Hegel enfatiza a utilização socrática do conceito de ironia, enquanto as tendências classificadas como românticas apontam antíteses impossíveis de serem superadas em promessas racionais irrealizáveis. Em um modo introdutório de discutir o problema do poético em um diálogo entre Hegel e os românticos, opta-se por estudar a crítica hegeliana à ironia consagrada nos textos de Friedrich Schlegel. Para Hegel, o desvelar do <em>Geist</em> e a busca por <em>auto-consciência</em> efetivam uma realização racional mediante transformações históricas e formas de constituição da intelectualidade e da vida social.</p> Jean Felipe de Assis Copyright (c) 2021 A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15061 qui, 07 jan 2021 13:05:37 -0300 QUE O MELHOR MÉDICO É TAMBÉM FILÓSOFO, de Galeno https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15062 <p>Sabe-se sobre Galeno a partir dos seus próprios escritos. Neles, as entradas autobiográficas são abundantes e, no geral, muito do que ele conta está em primeira pessoa. Galeno nasceu numa das maiores, dentre as ricas e prósperas cidades do mundo antigo, Pérgamo, na costa jônica da Ásia menor (atual Bergama, Turquia), no ano 129 d. C. Seu pai, Nícon, muito presente nos seus escritos, era proprietário de terra e arquiteto de profissão, e garantiu que ele tivesse a melhor educação possível. Galeno conta que, com quatorze anos, esteve em contato com os principais adeptos das escolas de filosofia em Pérgamo, escolhidos cuidadosamente pelo pai; conta também que viria a se tornar médico por causa de um sonho premonitório que o pai teve quando ele tinha dezessete anos...</p> Rafael Carvalho Copyright (c) 2021 A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15062 qui, 07 jan 2021 13:19:03 -0300 Sobre o Fogo, de Immanuel Kant https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15063 <p style="text-align: right;"><strong><em>Iná mo jubá ô ô.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup>[1]</sup></a></em></strong></p> <p>Fosse Immanuel Kant fluente em yorubá, utilizar-se-ia desta expressão para tratar o elemento que acompanhou toda sua obra: o fogo – na forma de <em>Phlogiston, Wärmestoff</em> e <em>Feuerstoff</em>, também equiparado por Kant ao éter, recebe menções em escritos de diferentes épocas, como o <em>De igne, </em>texto de 1755 aqui traduzido – o primeiro em que tal conceito aparece –, o <em>Menschenrasse</em>, de 1785, e um vasto material de seu <em>Opus postumum</em>, no qual o éter é elemento fundamental daquilo que Kant mesmo chamou de sua obra principal (<em>Hauptwerk</em>): a passagem entre as áreas da filosofia crítica separadas pela crítica da razão. É como o tradutor russo da dissertação <em>De igne</em>, Lugovoy, indica: é no <em>De igne</em> que Kant origina seu conceito de éter como matéria elástica do fogo, calor e luz, contendo as forças de atração e repulsão. Estas mesmas forças são o resultante na busca de Kant pela origem do universo em sua <em>Teoria do Céu</em>, datada do mesmo ano de 1755. Lugovoy identifica na dissertação <em>Sobre o fogo</em> a origem do conceito do éter, a conecta com a <em>Monadologia física</em>, de 1756, e aponta à hipótese do potencial heurístico do <em>Sobre o fogo</em> para a elucidação de proposições do <em>Opus postumum</em>...</p> <p>&nbsp;</p> <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1"><sup>[1]</sup></a> Eu saúdo o Fogo.</p> Klaus Denecke Rabello Copyright (c) 2021 A Palo Seco - Escritos de Filosofia e Literatura https://revec.revistas.ufs.br/index.php/apaloseco/article/view/15063 qui, 07 jan 2021 13:55:13 -0300